segunda-feira, 12 de maio de 2014

"So I'm Back... To The Velvet Underground
Back To The Floor... That I Love."

- Stevie Nicks; Gypsy







 Você acredita em Deus ou alguma coisa?
 Bruno: "Acredito no poder da terra, da água... Acredito na luz, na noite. Na lua. Acredito nos pássaros voando em bando e todos sabendo onde estão indo.
Acredito que o sol nasce para mudar os dias. Acredito em toda a natureza que eu sinto. Acredito que alguém a tenha criado. Um Deus... Homem ou mulher, ou ambos. Acredito sim!
 Mas, de repente, Deus pode apenas ser o "poder maior" que eu só clamo quando não posso mais sentir a energia de tudo isso."


 Isso é uma afirmação "New Age" previamente calculada para parecer mais descolada? Apropósito, ninguém gosta de falar de crenças. Ou quando gostam, gostam muito...
Bruno: "Eu não gosto, particularmente. É algo que eu só gosto de crer em silêncio. Compartilhar comigo mesmo e manter minha fé como uma coisa minha, de mais ninguém!
 É meio contraditório, não?! Você tem uma fé particular, altamente egoísta... Que maldita pessoa não quer dividir sua fé com alguém?
Eu respondo: Eu mesmo!"


Quais têm sido suas orações?
Bruno: "Eu tenho tido algum medo de orar nos últimos tempos. Não sei, soa como se eu estivesse me punindo de algum modo ou tentando provar algo para mim mesmo. Algo sobre encontrar sua força máxima, obrigando-se a carregar todo um peso no seu interior; fazendo isso sozinho... Sem nada ou ninguém para dividir."


Isso é idiota!
Bruno: "É sim! Principalmente quando é uma coisa que foi acrescentada no seu DNA por algum acaso da vida!
 Não é como se eu tivesse nascido assim. Mas ao longo dos anos eu meio que me "OBRIGUEI" e a ser como um "sobrevivente de uma guerra constante"!
 Um belo dia acordei e descobri que o único inimigo ao longo das batalhas era eu mesmo.
 Talvez agora eu gaste alguns anos tentando reparar alguns estragos."


Planos para o futuro?
Bruno: Planos de um dia ou dois.


Sonhos então?
Bruno: "Muitos sonhos!
Algumas vezes 'realizo' alguns deles dentro do meu quarto. O que é preciso!
Sonhos precisam ser repassados algumas vezes antes de tornarem-se planos, eu acho."

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

 "And I can tell this is a dark night of my soul" - Courtney Love





  Com os (clássicos) versos noturnos da Sra. Courtney [Dramática, Amargurada e Perdida] Love eu simplesmente cai no canto esquerdo do sofá na companhia doce do meu parceiro de crime... Um Lucky Strike vermelho, queimando e levando com a fumaça, para desaparecer no ar, alguns devaneios de outrora.
  Mas vocês sabem... A fumaça simplesmente desaparece quando tudo se queima, mas o cheiro te persegue por todos os cômodos da casa. Você acende um maldito incenso de Hortelã,  mas tem plena consciência de que está apenas substituindo um cheio pelo outro... Ou substituindo um devaneio pelo outro.

  Sempre achei que o CHEIRO das coisas ou das pessoas são os pontos "X" para acionar qualquer novela pessoal, já passada e tão fora de moda na minha vida. Seja o cheiro do café pela manhã me fazendo recordar da minha infância freak onde eu acordava as 8:00 da manhã com a ideia fixa de que poderia pular de uns... 3 metros de altura com um guarda-chuvas aberto, o qual me faria descer sutilmente até o chão, como seu eu fosse uma versão assexuada da Mary Poppins. Também lembro do cheiro da colônia que minha vovó costumava usar e me apavorava quando eu a sentia tão plenamente; aquilo me agradava e me seduzia tão infantilmente ao ponto de querer deitar em seu colo e fechar os olhos enquanto pedia para que o Universo a mantivesse sempre intacta e viva ao meu lado, tapando os buracos da minha alma ou abrindo de vez todas as minhas cicatrizes... O cheiro da colônia era algo que eu queria poder sentir eternamente para me sentir uma bagunça constante (que poderia ser guardada, em total desordem, dentro de uma gaveta segura).

  Tenho, talvez, algum problema com cheiros por serem tão acionadores de memórias em geral. Acionam seus sonhos infantis, seus medos de monstros, suas lembranças amargas ou agridoces. Mas o que seria da vida sem essas memórias? [Lembro-me de algum existencialista dizendo "O que se carrega da vida é a vida que a gente carrega"]. Ponto!

  Então é conclusivo dizer que não podemos ser aquilo o que não somos mais, ao menos que a gente minta. Mas, de qualquer forma, o passado é parte do presente e grande construtor do futuro... Se você é alguém tentando não ter um passado, você não é nada além de um mentiroso.

 Tudo o que devo fazer é reconhecer meus novos valores, assim como a minha auto-estima. Parar de ver a vida como um sacrifício e aceitar os cheiros, os aromas e todo o resto. Seja o do café (implorando para que eu seja criança de novo); da colônia hipnoticamente maternal; dos perfumes açucarados que carrego afim de firmar alguma personalidade ou presença; dos perfumes amadeirados e rústicos que me remetem a um estado de crufixicação à submissão absoluta por algo ou alguém.

 O cheiro sempre será a nossa única lembrança mais clara de qualquer coisa. Ele invade a sua alma e assina nas suas entranhas: "Não se esqueça de mim".

sábado, 29 de janeiro de 2011

"Por toda a parte vejo reinar a alegria da qual estou irrevogavelmente excluído. Eu era benévolo, bom; a desgraça tornou-me um demônio?"
(Mary Shelley - Frankenstein; 1818).


Se eu devo ficar sozinho, leve com você todos os pedaços disso
Se devemos pisar em tudo o que está vivo na lembrança,
Estamos perdidos no tempo

Te ofereceria a lágrima mais pura
A gota mais doce das profundezas do meu desespero
Mas apenas vá, apenas vá

Eu ainda te ofereceria um mundo de açúcar
Com as pérolas mais brancas para enfeitar o seu ego
Te daria toda a minha razão pendurada num colar de ouro

Mas se nada te sustenta por tanto tempo
Apenas vá e me deixe morrer sozinho

Eu criaria um reino e te coroaria como Deus
Te banharia em águas perfumadas por âmbar
E como uma fênix, tudo renasceria das cinzas

E poderíamos cobrir todo o céu com o brilho
De cada pedaço do seu espelho, espalhado por esse chão
Se você deve ir, apenas vá

Me deixe dormir como um bebê atrofiado
Lançado a um vulcão já adormecido por tanto esperar
Apenas vá e deixe-me contemplar esse paraíso doloroso

Deixarei de ser a tua sombra
Deixarei de ser tua essência
A sua alma vazia
Apenas vá, e consuma sozinho cada grão dessa sua estricnina reluzente


- Escrevi o poema baseado nos versos: "Me deixa só / Errada e complicada / Não imponha tua mão no meu caminho / Eu prefiro amar tua distância / A morrer em outra despedida
Por Maysa e Roberto Menescal

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"And you know I'm drowning"


"Suas longas vestes se abriram, flutuando sobre as águas; como sereia assim ficou, cantando velhas canções, apenas uns segundos. Inconsciente da própria desventura."
- (Hamlet, Shakespeare-p.145)



Durante todo o caminho de volta estive pensando em Ophelia, de Hamlet. Imaginava-a como uma mulher lânguida, pálida, lábios de cor viva e cabelos negros. O Google me remete a uma visão mais profunda de Ophelia; uma interpretação mais palpável dessa personagem que tanto me encanta.
A imagem de Ophelia se afogando soa como um ícone escapista. Não somos livres, não temos nenhum poder de escolha e enlouquecemos à medida que enxergamos isso. A solidão (a nossa ou a de Ophelia) encontra sua natureza, livre e selvagem nas águas.
O instinto de Ophelia falhou ao permitir que fosse conduzida por outros. E essa condução leva ao desejo de aprovação da identidade: "Não sou nada se ninguém me reconhecer" ou "Só posso me amar se alguém o fizer primeiro". (Contexto apropriado para os meus últimos dias, não?!)
Ophelia é vitima da incapacidade de esquecer de Hamlet, um homem amargo e ressentido. Se a Fabi estiver lendo isso e souber sobre o que eu estou falando ela logo pensará "É preciso esquecer".
Eu sei, eu sei. É preciso esquecer, mas forçar o esquecimento é DOMINAÇÃO. Dominação da dor da lembrança, dominação daquela cena em tons de sépia girando em sentido horário na sua memória.
Então, Ophelia, sob o ponto de vista "moderno" nos direciona a um mundo onde não se pode viver sem saudar ou carregar inúmeras dores. Ou mais à fundo: somos todos Ophelias niilistas, esperando que a vida nos dê um pedacinho da felicidade ou então esperando que a morte nos traga felicidade. Todos nós temos um Hamlet materializado ou incorporado, e não podemos fugir dele. Nos está predestinado a sofrer por um amor, por culpa, por ódio ou auto-ódio...
O que pode fazer a diferença é se "aprendermos a sofrer direito" para escapar da "dominação" e buscar a liberdade (que cada vez mais soa como utopia)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"Skinny little bitch... Pray to the Lord!

Pray for some salvation (...)"
Hole - Skinny Little Bitch


Eu sempre repito que nunca farei um blog. Talvez eu seja dominado demais pelo tédio para voltar atrás, ou sei lá.
Esse aqui saiu das sombras e isso se deve as palavras que tanto têm sangrado de mim ultimamente. Poemas, escritos para passar o tempo, música entre outras formas...
Não é a Sertralina, não é o verde. É o mundo, sou eu, é a minha vida. São todas as coisas que não cabem dentro de mim e pedem para sair. Talvez seja por isso que retirei um blog das sombras: a necessidade de colocar essas palavras pra fora, em suas variadas formas e emoções.
Tenho farejado coisas, um mundo diferente, alguma coisa vindo... Ou sentindo que alguma coisa está mudando. Nunca consegui nada ao tentar escrever com sentimentos positivos, mas é como se dessa vez fosse diferente. Por alguma razão eu voltei a sentir as coisas de novo. Posso escrever, dizer coisas sobre a tristeza e a dor nas minhas músicas (porque é assim que eu gosto), posso viajar na fossa mas ainda assim poderei me sentir iluminado e feliz como tenho me sentido.
Então eu devo agradecer à todas as pessoas que tem estado comigo e me fazendo ver o mundo e toda a vida por um ângulo diferente.
E para fechar a noite, vamos lembrar que é aniversário do Tom Jobim. Então fica a divina Maysa cantando uma música dele (não precisa ouvir quem não quiser!).