segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

 "And I can tell this is a dark night of my soul" - Courtney Love





  Com os (clássicos) versos noturnos da Sra. Courtney [Dramática, Amargurada e Perdida] Love eu simplesmente cai no canto esquerdo do sofá na companhia doce do meu parceiro de crime... Um Lucky Strike vermelho, queimando e levando com a fumaça, para desaparecer no ar, alguns devaneios de outrora.
  Mas vocês sabem... A fumaça simplesmente desaparece quando tudo se queima, mas o cheiro te persegue por todos os cômodos da casa. Você acende um maldito incenso de Hortelã,  mas tem plena consciência de que está apenas substituindo um cheio pelo outro... Ou substituindo um devaneio pelo outro.

  Sempre achei que o CHEIRO das coisas ou das pessoas são os pontos "X" para acionar qualquer novela pessoal, já passada e tão fora de moda na minha vida. Seja o cheiro do café pela manhã me fazendo recordar da minha infância freak onde eu acordava as 8:00 da manhã com a ideia fixa de que poderia pular de uns... 3 metros de altura com um guarda-chuvas aberto, o qual me faria descer sutilmente até o chão, como seu eu fosse uma versão assexuada da Mary Poppins. Também lembro do cheiro da colônia que minha vovó costumava usar e me apavorava quando eu a sentia tão plenamente; aquilo me agradava e me seduzia tão infantilmente ao ponto de querer deitar em seu colo e fechar os olhos enquanto pedia para que o Universo a mantivesse sempre intacta e viva ao meu lado, tapando os buracos da minha alma ou abrindo de vez todas as minhas cicatrizes... O cheiro da colônia era algo que eu queria poder sentir eternamente para me sentir uma bagunça constante (que poderia ser guardada, em total desordem, dentro de uma gaveta segura).

  Tenho, talvez, algum problema com cheiros por serem tão acionadores de memórias em geral. Acionam seus sonhos infantis, seus medos de monstros, suas lembranças amargas ou agridoces. Mas o que seria da vida sem essas memórias? [Lembro-me de algum existencialista dizendo "O que se carrega da vida é a vida que a gente carrega"]. Ponto!

  Então é conclusivo dizer que não podemos ser aquilo o que não somos mais, ao menos que a gente minta. Mas, de qualquer forma, o passado é parte do presente e grande construtor do futuro... Se você é alguém tentando não ter um passado, você não é nada além de um mentiroso.

 Tudo o que devo fazer é reconhecer meus novos valores, assim como a minha auto-estima. Parar de ver a vida como um sacrifício e aceitar os cheiros, os aromas e todo o resto. Seja o do café (implorando para que eu seja criança de novo); da colônia hipnoticamente maternal; dos perfumes açucarados que carrego afim de firmar alguma personalidade ou presença; dos perfumes amadeirados e rústicos que me remetem a um estado de crufixicação à submissão absoluta por algo ou alguém.

 O cheiro sempre será a nossa única lembrança mais clara de qualquer coisa. Ele invade a sua alma e assina nas suas entranhas: "Não se esqueça de mim".

Nenhum comentário: